Blue Energy – Cap 02 | Contos do Bardo

Olá Aventureiros! Prontos para mais uma aventura? Esse é o capítulo dois de mais um Conto do Biel o Bardo que você acompanha toda semana aqui na Taverna. Venha descobrir sobre Blue Energy.

Capa do Contos do Biel o Bardo. Fundo azul com sombras. Nas laterais, linhas desenhadas formam um contorno, no topo centralizado vem O Beholder Cego. A baixo: Contos do Biel o Bardo. A baixo pictograma que faz alusão a um dinossauro. A baixo o título: Blue Energy - Cap.02

O último degrau dava acesso ao segundo andar, o local era a fonte dos sons. Blackfog soltou um palavrão ao ver os monstros. As cabeças dos três bichos se viraram para o mercenário, o primeiro emitiu um som e mostrou os dentes. Sob suas patas se encontrava um corpo humano. Pelas roupas era alguém da equipe de segurança da base. O rosto já tinha sido lacerado.

Blackfog deu um passo para trás esbarrando em Swiss, aquilo não deveria ser possível, aquelas criaturas pareciam dinossauros e eles só existiam nos filmes.

Eram menores do que os do cinema, possuíam penas nos antebraços e em alguns pontos das costas terminando na cauda. Dois deles tinham a pele vermelha rajada de preto como o tigre africano. O ultimo era negro, com manchas cinza escuro. Os olhos de todos eram amarelos e piscavam rapidamente, pareciam analisar os recém chegados. O passo para trás dado pelo mercenário foi identificado como sinal de fraqueza, vendo isso os monstros atacaram.

Eles se moviam com extrema rapidez, os movimentos eram fluidos e coordenados, um deles saltou para a parede, caminhou por ela durante meio segundo, pegou impulso e pulou na direção do grupo projetando a cabeça para frente com a boca fechada até chegar ao alvo.

Blackfog disparou acertando o primeiro no ar arrancando um gemido da criatura. Antes que se desse conta o segundo já estava quase nas suas pernas, o mercenário pulou para o lado enquanto Swiss disparava a queima roupa.

As balas feriram a criatura, mas não impediram seu avanço, a fera retraiu o pescoço e atacou Swiss. Xerife puxou a mercenária com força pela cintura jogando-a no chão próximo ao local onde Blackfog estava. A fera mordeu o ar no local onde o ombro de Swiss deveria estar, com um pequeno impulso o monstro tentou atacar Xerife. O mercenário estava pronto e rapidamente desferiu três disparos contra a fronte da criatura.

Ela se remexeu, emitiu um som alto como se tentasse avisar os outros do perigo. Antes do grupo se recuperar do susto, o dinossauro atingido no ar por Blackfog já estava de pé. Ele avançou com fúria contra o grupo, assustando os mercenários. O monstro não parecia temer a morte, os três abriram fogo metralhando o monstro que não diminuía a velocidade em seu avanço.

A fera saltou, desferiu um ataque com as garras dos pés mirando a jugular de Blackfog e graças a um último disparo de Swiss o monstro se desequilibrou. Sua pata acertou o ombro do mercenário, mais disparos foram dados e o dinossauro caiu morto.

Trinta tiros foram disparados até a fera morrer. Xerife puxou seu kit médico e correu até o companheiro, o sangramento de blackfog era sério. A garra do monstro mal tinha tocado o corpo, mas era possível ver seu osso. Swiss avançou com o fuzil em punho a procura do dinossauro negro, mas ele não se encontrava ali. Após uma rápida procura, seus olhos se voltaram aos dois companheiros.

O corte parecia ter sido feito por uma navalha afiada, fundo e limpo, cortou o colete, o tecido da camisa e a pele como se fossem feitos de manteiga. Seria necessário dar pontos e nenhum deles conseguiria fazer aquilo ali. Improvisaram uma atadura para estancar a ferida, consultaram o mapa virtual até encontrar a enfermaria.

O caminho até lá apesar de simples era longo, seria necessário passar por dentro de duas salas e enfrentar um longo corredor até chegar no ambulatório. Blackfog perdia sangue a cada segundo andava no meio, com swiss a sua frente e Xerife as costas. Cada passo deles era acompanhado por sons de animais vindos de todos os lados, ora das costas, às vezes da frente e por fim dos lados.

Ultrapassaram a primeira sala, Swiss escorregou assim que entrou na segunda. O chão estava viscoso repleto de ossadas humanas e vísceras. Era impossível saber a quantidade de corpos, mas no centro do local haviam pilhas de roupas e tecidos que abrigavam ovos grandes como os de avestruzes.

Xerife não pensou duas vezes, disparou várias vezes destruindo tudo o que possível. A porta do lado seguinte estava bloqueada por cadeiras, obrigando os mercenários a pular por uma janela. Chegaram ao grande corredor que dava acesso a enfermaria com um Blackfog pálido e respirando com dificuldade.

Mesmo com as ataduras o sangue escorria pelo braço, pingando no chão deixando uma trilha. Xerife olhava a retaguarda enquanto Swiss quase corria a frente para chegar ao ambulatório. Os sons aumentaram e sua origem pareceu se concentrar cada vez mais para perto.

Duas janelas explodiram quando três dinossauros passaram por elas. A coloração era a mesma dos dois mortos, vermelhos rajados de preto. Eles avançavam contra os mercenários, que despejava balas nos monstros enquanto corria em direção à enfermaria. Swiss chegou ao ambulatório, aquilo não era nada do que esperava, a estrutura tinha sido atacada antes e pedaços humanos ainda estavam em seu inferior.

Swiss entrou pela porta e trancou-a por dentro, chutou os pedaços de corpos, subiu no balcão quebrando ainda mais o vidro do local enquanto via seus amigos avançando. Quatro dinossauros perseguiam os dois enquanto ela apertava inutilmente o botão que faria a cortina de ferro descer e lacrar o local.

Ela praguejou baixinho, em seu intimo sabia que deviam ter ligado a força geral. Sacou a pistola e disparou três vezes até romper a trava da cortina, manualmente destravou a engrenagem e desceu a cortina só deixando um pequeno pedaço em aberto.

Blackfog se jogou pelo balcão deslizando sobre a sujeira do local. Xerife veio em seguida, subiu pelo balcão e ajudou Swiss  a lacrar o local. Sob o impacto dos raptors a cortina de aço quase cedeu, as garras tentavam rasgar o aço sem sucesso, mas cada pancada enfraquecia as vigas da estrutura metálica, após um tempo os raptors recuaram para fora das vistas e o grupo pode relaxar um pouco.

Swiss odiava costurar carne, mas aquilo era necessário, enquanto Xerife vigiava o corredor, ela procurava por analgésicos, antibióticos agulha e linha. Quando achou os produtos foi até blackfog, ajudou o mercenário a se deitar na maca, pegou a própria lanterna e chamou Xerife para ajuda-la.

A ferida estava bem limpa para os padrões que ela estava acostumada, limpou com anti-septico, aplicou iodo em seguida. Fechou o ferimento segurando firmemente a pele do mercenário. Com habilidade passou a linha pela agulha e a agulha pela pele, rapidamente, sem tremer fechou a ferida estancando o sangramento.

Voltou aplicar o iodo, limpou com gases novamente, e aplicou uma grande porção de lidocaína e fechou a bandagem. Pegou uma bolsa com soro fisiológico, achou a veia do mercenário e enterrou a agulha lá, colocou a bolsa no suporte regulando a velocidade do liquido.

– Você é boa nisso.

– Muitos mortos no campo, você acaba aprendendo uma ou duas coisas.

– Ele vai ficar bem?

– Eu to aqui sabiam?

– Sabemos grandão, fica tranquilo.

– Ee não mexer muito e dermos sorte logo, logo, ele vai estar novo em folha.

– Eu nem vou perguntar para vocês se já viram coisa parecida, mas o que fazemos agora?

– Nem em pesadelos eu vi essas coisas, você viu como se movem?

– Preferia não ter visto. Eles conversam entre si, agem de forma coordenada mas o que eu não consigo entender é o que eles estão fazendo aqui? Essas coisas deveriam estar extintas.

– Ninguém avisou isso pra eles. Agora vamos pensar um pouco. Continuamos sem comunicação e não encontramos nada vivo exceto esses monstros. Pelo pouco que sei a BioGen pesquisava novas fontes de energia, não como trazer dinossauros a vida.

– Contei quatro dinossauros atrás de você naquele corredor, você acha que tem mais?

– Com certeza, eu vi movimento pelas janelas. Quanto tempo até o barco de extração entrar no alcance?

– 28 horas.

– Ótimo, é um dia e mais um pouco evitando virar comida de dinossauro.

– São galinhossauros.

– Hein?

– Eles tem penas nos braços e em alguns lugares do corpo.

– Sem comentários rapazes. Vamos aguardar uma hora nesse local, você perdeu muito sangue e os monstros podem estar te farejando pela trilha que você deixou. Vamos vasculhar esse andar a procura de sobreviventes, nossa busca vai se estender apenas ao caminho do próximo nível.

– Se acharmos sobreviventes, podemos entender o que está havendo aqui, do contrario seguimos caminho até a lancha de extração.

– E quanto aos dinos?

– Vamos manter eles longe com balas até chegarmos ao arsenal. Com a energia desligada pode ser que consigamos pegar armas e munição. De lá descemos para o próximo nível e tentamos achar o doutor ou pelo menos os dados da pesquisa dele.

– Pelo mapa digital, o arsenal que você está falando fica do outro lado desse andar. Tem certeza que quer cruzar todas essas salas pra chegar lá?

– É a única forma, do contrario nós não vamos aguentar. Eu tenho mais um pente completo e fui a que menos disparou. Contei cerca de trinta tiros para derrubar um deles e mesmo assim ele te acertou imagine se formos atacados por sete monstros de uma única vez.

O fato de verbalizar aquelas palavras tornava tudo mais real. Swiss se levantou e trocou o soro do colega, a cor começava a voltar ao rosto do mercenário, mas todos ali sabiam que com um movimento mais brusco a ferida abriria.

Após a segunda bolsa de soro ser consumida eles partiram deixando uma pequena fresta da sala aberta. Mantinham a mesma formação, com Swiss na frente, Blackfog no meio e Xerife atrás. Avançaram sala por sala esquadrinhando os ambientes, os passos lentos e precisos, a cautela era maior do que a pressa naquele momento, se moviam prestando atenção em qualquer movimento ou som daqueles monstros.

Chegaram ao arsenal. Os portões estavam travados, havia sangue e corpos mutilados no local. Para Xerife, muitas pessoas tiveram a ideia de vir para cá transformando o local em um buffet para dinossauros. Blackfog puxou seu abridor de fechaduras, encaixou no trinco e forçou até encontrar o ponto.


Se você gostou do Contos do Biel, o Bardo, conta pra gente em contato@beholdercego.com

Leia também o Cap 01 de Blue Energy

Nas redes sociais somos @obeholdercego no Twitter e Instagram e no Facebook participe do Grupo da Taverna.

Seja nosso padrinho https://www.padrim.com.br/obeholdercego

Ouça nosso cast sobre Dyatlov Pass

BeholderCast 96 – Dyatlov Pass, a Montanha da Morte

Prix, é a gnoma cozinheira da Taverna. Enquanto o Bardo e o Taverneiro levam todo o crédito por suas idéias, é ela quem trabalha nos fundos da Taverna para o site funcionar. Ama seus 5 filhos caninos, morre de medo de fantasma, adora um Blockbuster bem explosivo e nunca dispensa batata frita!

One Reply to “Blue Energy – Cap 02 | Contos do Bardo”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *