Blue Energy – Contos do Bardo

Olá Aventureiros! Prontos para mais uma aventura? Esse é o capítulo inicial de mais um Conto do Biel o Bardo que você acompanha toda semana aqui na Taverna. Venha descobrir sobre Blue Energy.

Capa do Contos do Biel o Bardo. Fundo azul com sombras. Nas laterais, linhas desenhadas formam um contorno, no topo centralizado vem O Beholder Cego. A baixo: Contos do Biel o Bardo. A baixo pictograma que faz alusão a uma ilha. A baixo o título: Blue Energy - Cap.01

Gotas de sangue escorriam pelo rosto em direção ao chão. O corpo possuía machucados e escoriações mas não eram um problema tão sério quanto o ferimento na cabeça, que além de sangrar, doía e causava uma leve tontura.

A tontura não incomodava Swiss, as algemas em suas mãos sim. Os interrogadores entraram na sala mais uma vez, o primeiro jogou em cima da mesa uma pasta, possivelmente contendo seus arquivos e o relatório da ultima missão.

– Você sabe porque está aqui ao invés de estar na enfermaria?

– Não. Mas creio que seja algo sobre a missão extração Dale.

– Correto. Existem algumas incongruências no relatório como um todo e gostaríamos que você nos esclarecesse o que aconteceu.

– Tudo aconteceu como está gravado no sistema de rastreamento. Assim como escrito nesse relatório em cima da mesa, meu companheiro de missão pode confirmar cada informação.

– Esse é que é o problema agente Swiss, o seu companheiro se recusa a falar uma única palavra aqui na sala ao lado. Mas como você sabe a companhia exige explicações. Veja bem, vocês saíram da base com quatro integrantes em um helicóptero para uma missão de extração, assim que a equipe saltou para a ilha perdemos contato com o piloto.

– Em menos de cinco minutos o rastreador interno do agente Cyber acusou falha dos batimentos cardíacos. Seu último registro foi o de gritos de dor seguidos por sons de laceração e ossos sendo esmagados.

– Após isso vocês entraram no complexo da BioGen atrás do doutor Cristian Dale e as comunicações pararam. Trinta horas depois você, o outro agente e metade do doutor Cristian foram achados em uma lancha avariada próximo a praia de todos os santos.

– Você está correto.

– Pode novamente nos explicar o que aconteceu?

– Já disse o que podia e não pretendo repetir. Acessem o meu registro digital, todos nós temos câmeras implantadas no uniforme, vocês poderão ver tudo o que aconteceu com a vantagem de não arriscarem seus pescoços.

Os agentes saíram da sala esbravejando, carregando a pasta blefe, que poderia fazer a agente falar alguma coisa. Swiss fechou os olhos e começou a vivenciar novamente o pesadelo que tinha sido aquela missão.

O helicóptero voava em alta velocidade e com exceção do piloto cada integrante conferia seus próprios equipamentos.  Armas, cordas, kit médico, laptops e comunicadores, o relógio já marcava três da manhã, mas todos estavam bem despertos, a profissão exigia isso. Eles eram mercenários.

Seus codinomes, Blackfog, Swiss, Xerife e Cyber, cada um com sua especialidade.  Infiltração, assassinato, resgate e acesso, a maioria era composta de ex fuzileiros com treinamentos em guerrilhas e extração de prisioneiros com o mínimo de dano possível. A companhia não contratava amadores. Todos receberam o mesmo memorando explicando a missão.

Cristian Dale era um famoso cientista no ramo de energias alternativas, seus conhecimentos eram muito caros para serem perdidos. A BioGen, companhia empregadora do doutor, mantinha ele e sua equipe em uma ilha particular sem nenhuma intromissão em seus projetos.

Na noite daquela sexta feira o alarme da BioGen acusou uma explosão no complexo alpha 03 na ilha Eiji, lar do doutor e sua equipe. Rapidamente a equipe Roar da Dark Lake Security foi acionada com a missão de entrar no complexo e resgatar o Doutor Cristian Dale com vida.

A ilha Eiji situada no litoral brasileiro, nada mais era do que um local remoto com um uma única entrada por uma baia repleta de rochas. Sua superfície era composta de parca vegetação sendo quase totalmente ocupada pelas instalações da empresa. Pelos outros três lados a ilha possuía altos penhascos que transformavam a ilha em uma fortaleza natural.

Poucos quilômetros antes de chegar à ilha, o piloto desligou todas as luzes da aeronave, os mercenários voavam apenas se orientando pelas poucas luzes que vinham da ilha. Saltaram no horário e local combinado, roupas pretas, nenhum metal refletivo, óculos de visão noturna e pistolas silenciosas na mão.

Swiss, BlackFog e Xerife pousaram bem próximos um ao outro. Cyber durante o salto foi pego por uma corrente de ar ascendente que o levou trezentos metros a leste da posição do grupo. Enquanto os três mercenários se deslocavam em direção a guarita, viram ao longe a explosão da aeronave.

A comunicação com a aeronave tinha sido cortada no momento em que colocaram os pés na ilha. O piloto não teve chance de reagir. Cyber arfava no comunicador, seu paraquedas tinha ficado preso em uma árvore e ele não conseguia se soltar das amarras.

De repente veio o grito. Ele foi tão alto que Xerife praguejou baixinho, tanto Swiss quanto ele tinham certeza que em cinco minutos ou menos milhares de agentes da BioGen cairiam sobre eles. O grito cessou a medida que o som de ossos se partindo aumentaram. Cada membro carregava um rastreador subcutâneo monitorado pela Empresa, nesse momento o rastreador de Cyber parou de funcionar.

Mal havia começado a missão e Swiss estava tudo dando muito errado. Sorrateiramente pelo mato, ela se aproximou da primeira guarita, procurou por vigias, não avistou nenhum. Aguardou mais uns minutos, talvez o homem tivesse ido ao banheiro ou fazer a ronda, cinco minutos depois nada se alterou.

Xerife avançou segurando a pistola com silenciador, a primeira guarita estava escura e abandonada. Os monitores mostravam que várias câmeras estavam estragadas ou fora de foco, luzes de emergência e giroflex acesos também eram vistos nas telas. Os três mercenários estudavam as telas, mas nada se movia. Blackfog e Swiss começaram a vasculhar as gavetas e armários, logo Blackfog achou uma pistola e um cartão de acesso.

A porta que dava acesso ao complexo estava travada, tentaram o cartão de acesso e depois disso a invasão por intrusão, nada funcionava. Segundo Blackfog a porta tinha sido selada da sala de comando do primeiro nível e só seria aberta por lá. O mercenário pediu para que os outros se afastassem, foi até a porta e plantou dois tabletes próximos as dobradiças.

A porta cedeu após a pequena explosão. Lá dentro as únicas luzes ligadas eram as de emergência mas pouco faziam para iluminar o local. Xerife scaneou o mapa na parede, fez o procedimento com calma enquanto os outros dois mercenários vasculhavam as proximidades.

Em sete minutos o grupo tinha em mãos um mapa tridimensional do local. Moviam-se como uma unidade, o primeiro objetivo era chegar na sala de controle, de lá achar o cientista, se dirigir a baia e fazer a extração.

Seguiram o corredor rumo ao norte, passaram por duas portas, ambas sem trava. A porta da sala de suprimentos tinha sido arrombada, alias essa não seria a palavra correta, a porta parecia ter sido destruída por garras e mordidas. O interior da sala era uma confusão de alimentos jogados ao chão, sangue e pedaços de corpos. O mau cheiro dentro do local indicava também a presença de fezes.

Os mercenários seguiram o caminho com cuidado redobrado, o que quer que tivesse causado aquilo era perigoso.  Circundaram cada corredor substituindo as pistolas por rifles de assalto. Sem pressa em se deslocar, pouco tempo depois chegaram a sala de comando do primeiro nível.

Pela quantidade de sangue espalhado no chão e na mobília, três pessoas ou mais tinham sido mortas ali. Alguns monitores estavam quebrados, cadeiras caídas no chão com seu estofado rasgado, mostravam que a mesma coisa que passou pela dispensa tinha atacado essa área também.

BlackFog foi ao painel principal, as câmeras que ainda funcionavam, mostravam sangue por toda parte. Nenhum sinal de cientistas ou seguranças, Swiss começou a analisar os pedaços dos corpos procurando estabelecer um padrão nos ferimentos, “quanto mais conhecimento sobre o inimigo, mais fácil matá-lo” pensou ela.

Xerife aguardou a mercenária terminar o que fazia com os pedaços humanos, em seguida chamou a atenção dos dois companheiros. Eles o encararam de volta com a mesma cara de espanto, nenhum deles fazia ideia do que estava acontecendo ali.

Só havia duas formas de chegarem ao segundo nível. A primeira era através dos elevadores, a segunda pelas escadas, mas para usar os elevadores os mercenários teriam de religar a força do primeiro nível. Uma grande marca de sangue e a mão presa na chave desligada indicava que isso não seria uma boa ideia. Sem saída optaram por usar as escadas.

Saíram da sala de comando rumo a ala leste, a porta corta fogo da escada estava lacrada com o cabo de um machado, sangue coagulado manchava o chão do local . Blackfog avançou na frente e tirou o machado abrindo a porta para a passagem dos outros dois. Seus olhos rapidamente foram para a mancha que se estendia do primeiro degrau a o último. Um som estranho deixou os mercenários em alerta.

O som se repetiu, em seguida outro tom se sobrepôs a esse como se fosse uma conversa. Cada degrau que equipe descia era uma nova tensão. As botas se moviam com lentidão tentando não fazer um único barulho. Swiss fez um sinal com o punho fechado e Blackfog assumiu a frente com o corpo abaixado. Ela avançava com a arma no ombro acima da cabeça do companheiro, enquanto Xerife avançava um pouco mais atrás dos dois para uma melhor cobertura. Nenhum deles estava preparado para o que os esperava no segundo andar.


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Prix, é a gnoma cozinheira da Taverna. Enquanto o Bardo e o Taverneiro levam todo o crédito por suas idéias, é ela quem trabalha nos fundos da Taverna para o site funcionar. Ama seus 5 filhos caninos, morre de medo de fantasma, adora um Blockbuster bem explosivo e nunca dispensa batata frita!

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