Conto do Bardo: O Assassino de Caldarias – Parte 1

Bem-vindos aventureiros, que tal um thriller de assassinatos e perseguições com um toque sobrenatural ou não? Vem comigo nesse conto cheio de charadas com um final bem clichê para você ler naquela tarde chuvosa! Vamos publicar toda semana um capitulo desse primeiro conto do Bardo, O Assassino de Caldarias.

Capa do Contos do Biel o Bardo, O Assassino de Caldarias Parte 1

Capitulo 1

O parque estadual de Caldarias estava repleto de gente como todos os dias, exceto que nesse dia poucas pessoas estavam lá para praticar caminhadas e esportes matinais. A menos de meia hora um corpo tinha sido encontrado aos pés do grande mapa da cidade.

O mapa em si é uma grande escultura de quatro metros de altura por sete de largura. Em sua textura de pedra estão representados todos os pontos importantes da cidade, a igreja com seu grande relógio, a prefeitura, o hotel bourbon, o hospital e a delegacia.

A policial Vanessa Lima estava de mau humor, a ligação que a acordou logo cedo não era boa. Ela passou andando por baixo do cordão de isolamento montado as pressas, o Capitão Fabiano já estava no local com cara de poucos amigos.

– Bom dia.

– Só se for pra você. É o terceiro corpo. Tá vendo ali? É a globo. Vai passa no Jornal Nacional hoje a noite e o que é que nós temos? Nada! Vanessa vão decretar toque de recolher e toda aquela merda. Ninguém viu nada. Como isso é possível bem no meio do parque?

– Sinceramente não sei capitão. As câmeras não pegaram nada?

– Os peritos tão em cima, mas até agora nada, parece que elas tavam inoperantes, da pra acreditar? De que serve uma câmera que não filma?

Vanessa achou melhor não responder e seguiu até o local onde o cadáver foi encontrado. Três peritos examinavam o local, um deles tirava fotos do cadáver. Uma moça na casa dos vinte e cinco e assim como as outras duas encontradas, nua e sem sangue. O mesmo ferimento no peito, o mesmo modo operante.

O capitão estava certo, a coisa cresceu. Segundo os manuais após o terceiro assassinato em série eles tinham que passar o comando da investigação para a policia federal, eles por sua vez iam armar um show, logo criariam o nome para o bandido, “o maníaco de Caldarias”.

Começaram a remover o corpo. Lucas um dos peritos criminais chegou até a policial e disse:

– Nada de novo. Nenhuma pista aparente, assim como as outras duas. Ou esse desgraçado é bom ou ele sabe como a gente trabalha. Sério Van, tirando a sujeira que grudou na pele dela, aqui não tem nada.

– Leva pro laboratório, conversa com todos os legistas possíveis, tem que ter alguma pista.

– Ok.

Inglaterra

– Você deveria aguardar atrás daquela poltrona, com toda a certeza ele vai entrar pela janela e não pela porta.

– Cala a boca, ele deve entrar a qualquer momento.

– Ok, ok,  não precisa ser grosso. Se não for precisar da minha ajuda vou pra cozinha, com certeza essa velha deve ter uma garrafa de rum em algum lugar.

– Falou comigo detetive?

– Não senhora, estava apenas falando sozinho.

– Ah, claro, eu também as vezes falo comigo mesmo.

– Achei, vai um gole ai Filipe?

– …

– Ah é, você não bebe em trabalho, bom azar  o seu.

Felipe Baggio estava a espreita, o “Geriatra” deveria aparecer a qualquer momento. A ideia do nome não era dele, isso o assassino devia a mídia. Seus alvos eram sempre pessoas idosas moradoras do mesmo conjunto de prédios.

Um olhar menos apurado sob as mortes não acharia nada de errado, mas um latrocínio, uma queda de uma janela do sétimo andar e um afogamento em banheira com menos de um mês de diferença entre eles era muito estranho.

Para Baggio não havia coincidências, para Frank aquilo era uma perda de tempo. Baggio era um detetive com cinco anos na Scotland Yard e Frank era um fantasma de um antigo pirata que resolveu assombrar Baggio.

Um clique, o trinco da porta começou a virar, Baggio sacou a arma e se posicionou. A senhora estava no quarto atrás dele, olhos na porta, a respiração presa aguardando o desfecho.

Frank arrotou alto, o geriatra entrou no apartamento. Ele era bem maior do que o detetive Baggio pensava, quando traçou o perfil do suspeito, imaginava alguém não alto e mais esguio, não um gorila que lembrava um segurança de pub.

Dois passos, o bandido tinha algo nas mãos. Frank veio andando para a sala com a garrafa na mão esquerda, Baggio aguardou o homem cruzar a sala para aparecer. O local onde estava fechava a única porta de fuga do local.

– Policia, você está preso.

O homem se virou encarando o oficial, seus olhos eram escuros assim como o seu cabelo, tatuagens nos braços e no pescoço, seus trejeitos lembravam um capanga da máfia e em suas mãos uma corda nova.

– Você tem o direito de ficar calado, tudo o que disser pode e será usado contra você no tribunal.

– Ele vai correr, você sabe disso, ele vai se jogar pela janela e fugir, fica vendo.

O homem arremessou a corda contra o rosto do oficial, e se jogou para trás da mobília. No segundo seguinte sacou uma arma do tornozelo e começou a disparar, Baggio trocava tiros com o homem procurando um ângulo para neutralizar o alvo.

Frank andou até o geriatra, analisou o grande capanga escondido atrás de um sofá velho, levantou a garrafa e desceu com força na cabeça do bandido, quando ele se virou assustado procurando quem o tinha atingido, Baggio atirou, o corpo caiu no chão sangrando.

– Meu Deus, você matou ele?

– Sim.

– Oh…

– Ela vai desmaiar, é melhor você pedir reforços…

Em seguia a senhora desmaiou e Baggio ligou para a agencia. Ambulância e legistas estavam a caminho, tateou os bolsos do assassino, carteira, caixa de fósforos do pub três luas e um molho de chaves.

– Você sabe que o três luas é o reduto da máfia irlandesa aqui né? E nosso amigo Ryan Foster é dono de que tipo de negócios?

– Construção e imobiliária, aonde você quer chegar com isso?

– Porque o Ryan iria querer esses prédios desabitados?

– O novo shopping?

– Me diz você! Pensa bem, quem vai querer comprar um imóvel onde alguém se suicidou?  Esses apartamentos vão sair a preço de banana.

Delegacia

– Detetive Baggio, porque agiu sozinho nesse caso?

– Capitão Willians, qualquer movimentação maior do que um ou dois homens ia chamar uma atenção indevida, e talvez isso inibisse a ação do Geriatra.

– O que aconteceu no apartamento? Os legistas disseram que o corpo do homem estava encharcado de rum, você tem algo a ver com isso?

– Não senhor, a senhora Abney viu que o homem estava distraído e tentou me ajudar quebrando a garrafa na cabeça dele, ele olhou para ela e eu aproveitei o momento.

Porque você não fala a verdade? Ó meu querido capitão o fantasma de Francis Drake estava no apartamento e ele em toda a sua bondade resolveu me ajudar.

– Como você soube que ele atacaria aquela senhora?

– A guerra pelo novo shopping.

– Como?

– Se o senhor ver o jornal, a construtora Cooper &Hill tentou comprar o condomínio de prédios dois meses atrás sem sucesso. De uma hora para outra os moradores dos prédios começaram a morrer, mesmo se tratando de uma área segura da cidade. Com isso em mente comecei a traçar o perfil das três primeiras vitimas. Todas as três iam no mercado logo pela manhã e depois se encontravam na academia comunitária ao ar livre, sem contar que nenhum dos três tinha parentes próximos. Reduzi minha busca dentre os moradores do condomínio com essas condições, e achei três pessoas, monitorei as três e dei sorte do bandido aparecer no apartamento em que eu estava.

– Perfil bem traçado e um pouco de sorte. Hum… Eu li a sua ficha recentemente, você nasceu no Brasil certo?

– Sim senhor, eu nasci em Caldarias uma cidade no interior de São Paulo, morei no Brasil até os 10, quando meu pai conseguiu um emprego aqui na Inglaterra.

– Era uma cidade violenta essa Caldarias?

– Não, na época tinha pouco mais de 300 mil habitantes, tinha seus problemas como qualquer cidade normal, por que pergunta?

 

– Três moças, foram sequestradas e três dias depois seus corpos foram achados. Todas nuas, com uma facada no peito.

– Hum…

– O que acontece é que os seus conterrâneos mandaram um pedido para enviarmos alguém para traçar o perfil do assassino e ajudar nas investigações. Eu pensei em enviar você, se estiver tudo bem.

– Sim claro, quando eu parto?

– Depois de amanhã, no período da tarde. Amanhã pela manhã quero que você passe no Dr. Ocelot para averiguar se esta tudo certo, você sabe, politica da policia.

– Ocelot? De novo? Você não foi no consultório dele semana passada? Cara, sério eu odeio aquela ladainha toda, e você sabe né? Aquele cara lá é maluco, mas maluco no nível assassino, juro pelo meu navio.

– Sim eu sei, irei sem problemas. Até logo Capitão.

– Até logo Detetive Baggio, boa caçada no Brasil.

Mais tarde naquela mesma noite, Baggio aguardou do lado de fora do Três luas. Ryan Cooper saiu do pub escoltado por dois brutamontes, os três sorriam, altos pelos drinks da noite. Felipe Baggio avançou em direção ao primeiro homem, um golpe de palma aberta na traqueia, ao mesmo tempo desferiu um chute no peito do segundo segurança.

Frank chutava  o abdômen do brutamonte que arfava no chão, antes do segundo segurança sacar a arma, Baggio atingiu o homem no rosto com um forte chute, o corpo relaxou imediatamente. Ryan avançou contra o detetive, mas Baggio era rápido e estava sóbrio, desviou do golpe e socou o mafioso no rosto.

O golpe jogou o homem no chão, Frank pisou com força na genitália do homem arrancando um gemido de dor, Baggio sacou a arma e encostou no rosto do homem conseguindo sua atenção.

– Eu só vou falar uma única vez, por isso preste muita atenção. Mude o shopping de local, deixe os velhos em paz, e desapareça, se voltarmos a nos encontrar eu vou disparar, estamos entendidos?

O homem confirmou com a cabeça, Baggio se levantou, olhou para Frank que se divertia espancando o capanga numero um, fez um sinal e os dois foram embora.


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Já foi considerado um Elfo – Paladino, hoje está mais para Meio Elfo – Bardo. Ama gastar a sola do tênis andando com os 4 filhos caninos e se pudesse viveria ao norte do Equador.

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