O Assassino de Caldarias – Parte 3

Capa do Contos do Biel o Bardo parte 3. Fundo azul com sombras. Nas laterais, linhas desenhadas formam um contorno, no topo centralizado vem O Beholder Cego. A baixo: Contos do Biel o Bardo. A baixo estrelas. A baixo: O Assassino de Caldarias - Parte 3

O Assassino de Caldarias

Capitulo 3

O trem parou e logo as pessoas começaram a descer. Felipe e Stephanie desceram na estação de Caldarias ainda conversando mas o papo entre os dois foi interrompido pela sirene da viatura policial que aguardava o detetive. Enquanto seguia seu caminho reparou no senhor de idade que se adiantou na multidão e levantou Stephanie no ar com um grande abraço, atrás vinha uma senhora de olhar rigoroso que Felipe imaginou ser a Dona Neuza.

Ele caminhou para a viatura tentando estabelecer um contato visual com a policial que se encontrava encostada no capo do veiculo. Vanessa se surpreendeu com a aparência do detetive, ela esperava alguém mais velho e possivelmente mais experiente. Sorriu para o homem e pensou se deveria tentar falar em inglês ou simplesmente soletrar o nome do homem pausadamente

– Detetive Baggio?

– Sim sou eu, e você deve ser a policial Vanessa, a encarregada do caso certo?

– Você fala português? Que alivio! Eu estava tentando formular uma frase em inglês para dar boa tarde, mas não lembrava como fazer isso.

– Não se preocupe com isso, estou meio enferrujado no português, então será bom praticar. Alguma novidade a cerca do caso? Encontraram algo no parque?

– Temos novidades sim, mas não no parque. Achamos algo na garota, mas não divulgamos nada ainda. É melhor conversarmos na delegacia, parece que o assassino gosta de um espetáculo.

– Por que diz isso? Ele deixou alguma mensagem?

– Delegacia!

Baggio sorriu, sua ferocidade era um dos motivos pelo qual sentia falta das mulheres brasileiras. Elas eram aguerridas e adoravam uma boa briga. Como um bom moço entrou no veiculo mas não sem dar uma ultima olhada para trás tentando ver a garota do trem ou sua família.

Durante o caminho o único som no carro era do radio ligado a central que emitia ordens e recebia atualizações dos policiais. Baggio que não via Frank em lugar algum, sentia a cabeça limpa e não sabia dizer se aquilo era bom. Ver o fantasma do pirata criava duas possibilidades, a primeira era que ele pudesse ser louco e a segunda mais assustadora, de que fantasmas realmente existiam.

Um quebra-molas o trouxe de volta ao mundo real, o carro fez uma curva e logo eles estavam a frente do portão da delegacia. A policial parou em uma vaga próxima a porta do local, ela desceu e Felipe a acompanhou. A mulher andava com rapidez e por vezes o detetive apertou o passo para acompanha-la.

Entraram na sala de guerra, uma sala grande contendo um mural de suspeitos, fotos das vitimas, todo material pesquisado e levantado sobre o caso. O capitão Fabiano conversava com Alessandro, um dos peritos criminais sobre algo engraçado pois os dois riam de alguma coisa. Eva Faria, a legista local, conferia alguma coisa em seu celular.

Vanessa apresentou o detetive e após os apertos de mãos, todos se sentaram a mesa para que o capitão os atualizasse em relação ao caso. Parecia ficar mais complexo e bizarro a cada instante.

– Detetive Baggio não achamos nada nas duas primeiras vitimas. Pedi ao Fabiano e a Eva para fazerem uma nova varredura nos laudos para ver se deixamos algo de fora. Ou o desgraçado esta gostando do circo que ele armou ou ele é um maluco total.

– Durante a limpa do local, um dos peritos achou embaixo do corpo um chaveiro com mapa de Caldarias, daqueles que se compra na entrada do parque mesmo sabe? Fizemos uma busca por toda a escultura e um dos nossos policiais encontrou um envelope em cima do monólito, dentro dele havia a seguinte frase:

“A tudo devoro, feras, aves e plantas, aço e ferro nada são para mim, Pessoas eu abato dia a dia, cidades eu arruino, Montanhas eu diminuo o que sou eu?”

– O que isso quer dizer?

– É o que esperamos que você nos ajude a descobrir. Temos uma lista de pessoas desaparecidas que batem com o perfil das vitimas e não sabemos o que pode acontecer com elas, por isso precisamos ser rápidos. Por onde você gostaria de começar?

– Primeiro eu gostaria visitar os locais onde os dois primeiros corpos foram encontrados. Enviem essa mensagem para a Interpol, vamos ver se eles já passaram por algo parecido. E gostaria que três ou mais agentes fossem designados para procurar o significado dessa mensagem. Se é uma pista, deve servir para encontrarmos algo que nos leve ao assassino ou a próxima vitima.

– Então mãos a obra, a oficial Vanessa será sua guia enquanto permanecer aqui, se precisar de algo, ela vai providenciar.

Dizendo isso o capitão se retirou da sala com o perito e a legista. Vanessa e Felipe se levantaram e foram em direção a porta principal, saindo da delegacia. Baggio abaixou o espelho para ver o quão mal barbeado seu rosto estava, seus olhos se focando no pirata sentado no banco de trás da viatura. Frank sorriu para o detetive e lentamente levantou o dedo indicador direito a boca fazendo o sinal de silencio.

– E ai, onde você quer ir primeiro? No planetário ou na ponte?

– Mudei de idéia, gostaria que você me levasse a casa da primeira ví­tima.

A policial confirmou a ordem com a cabeça sem questionar o pedido. Ela e outros trás policiais tinham extraído tudo dos pais da garota, se havia ainda alguma coisa a ser descoberta, Vanessa tinha certeza que essa coisa não estava lá.

O carro seguia pela Avenida Tiradentes em direção a rua São João numero 38, a casa de Fabiana, a primeira vitima. O pai, Senhor Antônio, atendeu a porta com um semblante abatido, Felipe entendia o sentimento do homem e nem podia recrimina-lo pela fria recepção.

A mãe de Fabiana estava deitada, enquanto a irmã dela cuidava dos afazeres da casa. Frank apareceu na sala sentado ao sofá, até mesmo o pirata parecia sentir a energia pesada que preenchia o ambiente. A moça trouxe um chá gelado para os policiais e para o pai, Felipe reparou nos seus olhos  ainda vermelhos.

– Senhor Antônio, peço desculpas mais uma vez pelo incomodo. Meu nome é Felipe Baggio e sou um investigador especializado em assassino seriais. Eu vim para ajudar no caso da sua filha, e infelizmente preciso fazer algumas perguntas ao senhor e se possível a sua esposa.

– Não, chega! Já respondemos um monte de perguntas pros outros policiais. O que mais vocês precisam saber pra prender esse monstro? Quantas famílias vocês vão deixar ele destruir?

Vanessa foi pega de surpresa pelo comportamento do homem. Felipe, pelo contrario, pareceu achar normal a exaltação do homem. Tentando contornar a situação, o detetive pegou o copo de chá e o levou a boca, Frank olhava a cristaleira admirado pelas miniaturas de barcos dentro de garrafas de vidro.

– Senhor, estamos fazendo o possí­vel e impossí­vel para prender o responsável, a prova desses esforços é essa nossa visita. Eu acredito que o assassino tenha premeditado isso deixando alguma pista próxima a primeira vitima, no caso a sua filha. Por isso eu preciso saber, a Fabiana recebeu algum bilhete ou flores antes de desaparecer? Ou se o senhor notou algo fora do normal acontecendo antes do sequestro?

– A Fabiana não conversava comigo sobre os namoricos dela. Mas Samira, minha esposa, disse que ela não estava de caso com ninguém. Minha filha sempre foi estudiosa, queria ser cientista, ela sempre dizia que o futuro estava lá no céu. Então era normal ela receber encomendas da capital, ontem mesmo chegou um pacote com uns livros de lá.

– E antes de ela desaparecer? Ela recebeu alguma encomenda que o senhor possa me mostrar?

O homem andou até o quarto da filha e trouxe de volta um pacote com um livro saindo do envelope de papelão. O livro de capa azul era a sensação entre os adolescentes desde o lançamento do filme que estourava nas bilheterias. Felipe sorriu ao ler o titulo e sabia o que viria a seguir.

– Uns dias antes dela desaparecer chegou esse pacote. Ela ligou para saber se tinha sido um engano, mas disseram que foi um presente comprado via internet. A policia tentou rastrear o mandante mas não descobriu nada, falaram que foi comprado com um tal de bit-coin.

– O senhor se incomodaria se eu ficasse com esse pacote e livro?

– Isso não vai trazer minha filha de volta detetive e nem vai diminuir a dor que estamos sentindo, então pode levar. De toda forma, assim que a minha Samira recuperar as forças nós vamos doar tudo mesmo.

– Isso não vai trazer sua filha de volta senhor Antônio, mas te garanto que vai nos ajudar a capturar o animal que fez isso com a sua menina.

O homem acompanhou os oficiais até a porta e tão logo eles entraram na viatura ele fechou a porta para voltar ao seu torpor costumeiro. Vanessa encarava Felipe esperando uma resposta pelo comportamento dentro da casa. Ela mais que todos sabia que os policiais não deviam se envolver com vitimas ou parentes das mesmas.

– A culpa é das estrelas. Essa é a mensagem que o assassino mandou antes de sequestrar e matar a garota. Ele estuda a rotina das vitimas e as sequestra no mesmo local onde vai desovar os corpos. A pista nessa vez eram as estrelas do planetário, local que a vitima frequentava com frequência.

– Se ele conhece o habito de cada uma das vitimas é alguém conhecido delas?

– Não necessariamente, mas é alguém obcecado por cada uma delas. Então a pessoa que procuramos pode ser algum conhecido de longa data. Você acha que a central consegue levantar o colégio que as vitimas estudaram na infância e no ensino médio? Eu quero o nome de cada aluno das turmas e quero saber se elas tinham alguma amizade em comum.

A policial usou o radio para comunicar a central, outros agentes foram atrás das informações pedidas pelo detetive. Rapidamente uma lista de possí­veis suspeitos se formou. Logo repórteres souberam que havia algo novo sobre o maní­aco de Caldarias.

– Vamos a central agora?

– Ainda não, eu preciso ir para o planetário. Mas antes disso quero que você envie alguém na casa da segunda garota para saber se ela recebeu alguma coisa antes de ser sequestrada. Flores, chocolate, ou qualquer coisa que tenha sido enviada sem um remetente identificado.


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Já foi considerado um Elfo – Paladino, hoje está mais para Meio Elfo – Bardo. Ama gastar a sola do tênis andando com os 4 filhos caninos e se pudesse viveria ao norte do Equador.

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