O Assassino de Caldarias – Parte 4

Capa do Contos do Biel o Bardo parte 4. Fundo azul com sombras. Nas laterais, linhas desenhadas formam um contorno, no topo centralizado vem O Beholder Cego. A baixo: Contos do Biel o Bardo. A baixo 3 coxinhas que se encaixam. A baixo: O Assassino de Caldarias - Parte 4
O Assassino de Caldarias
Capítulo 4

O carro seguia em alta velocidade, Vanessa conhecia atalhos interessantes e por duas vezes ligou as sirenes simulando uma perseguição para furar sinais e liberar o transito a sua frente. Frank fazia uma algazarra no banco de trás enquanto Baggio segurava firme no apoio para mão no teto do veiculo.

– Você parece pálido, algum problema detetive Baggio?

– Acho que talvez seja a fome sabe? Eu não comi nada desde que cheguei ao país.

– Depois de sairmos do planetário passamos no rei da coxinha, tenho certeza que você não lembra mais o gosto de uma boa coxinha de mandioca!

– Cara, sério, se você for ao rei da coxinha você vai vomitar até as tripas na cara dela. Por que você simplesmente não fala a verdade? Por favor deixe eu dirigir a porra desse carro que você parece uma lunática no volante?

– Então Vanessa, tem como ir um pouco mais devagar?

– Ah sim, claro.

A policial não deixou o velocí­metro ficar abaixo dos 60 km/h até chegarem ao planetário. O edifí­cio já tinha poucos visitantes antes do assassinato, agora o local parecia um deserto. O segurança nem se preocupava em observar quem entrava no estacionamento e só levantou os olhos do jornal porque o uniforme ficava muito bem apresentável na oficial Vanessa.

Os dois entraram na sala do sistema solar, a fita ainda decorava o chão onde a jovem fora encontrada. Felipe deu várias voltas no local checando cada corpo celeste para ter certeza de que não havia nenhuma mensagem cifrada ou mesmo escondida. Balançou Júpiter e quase derrubou os anéis de Saturno. Se dando por vencido o detetive abanou a cabeça tentando clarear as ideias quando viu Frank tentando desligar a luz do local.

– Não se assuste ok? Vou tentar algo.

Ele disse para a policial que sorriu como se desafiasse Baggio a assusta-la. Ele foi até o interruptor, apagou a luz para poder ver o planetário em toda sua magnitude, procurou por pistas novamente e viu Frank se aproximar de Júpiter o gigante do sistema solar.

Ele seguiu o pirata e foi até a grande maquete, examinou de perto procurando por ranhuras. De repente um som alto assustou a todos os presentes, o projetor começou a exibir o filme em uma das paredes da sala mas as imagens que apareciam estavam obstruídas por algo. Vanessa foi até o equipamento, desligou a máquina enquanto Baggio acendia a luz.

– Tem algo escrito aqui na tela do projetor.

– Consegue ler?

Vivo como você, mas sem ar, tão frio na vida quanto na morte, nunca com sede, mas sempre bebo vestido de cota de malha sem nenhum rangido.

– O que diabos quer dizer isso?

– Vanessa, eu acredito que isso era a pista do segundo assassinato, isso ai foi escrito com o que?

– Batom.

– Possivelmente o batom da vitima? Ou a vitima tinha alguma ligação com maquiagem?

– Ela foi vista a ultima vez comprando maquiagens com as amigas em um shopping.

– Eu me enganei Vanessa, provavelmente os policiais não vão achar nenhum outro presente na casa das outras vitimas. Esse assassino usou o livro como estopim, mas cada assassinato foi planejado separado. Vamos passar no tal rei da coxinha e depois na ponte onde a segunda vitima foi encontrada.

Frank estava certo e após devorar duas coxinhas Felipe tratou de coloca-las para fora antes de chegar ao local do segundo crime. A oficial o olhava com reprovação enquanto o fantasma fazia brincadeiras e o comparava a um antigo subalterno seu: John Smith, o pirata manco que enjoava no mar.

Quando chegaram a ponte, Felipe ainda aparentava uma pele esverdeada e doentia. Andou de um lado para o outro procurando qualquer prova que pudesse encontrar, no teto da ponte, nas pilastras e até mesmo na paisagem formada pelo rio e as distantes arvores.

Frank ainda sentado no banco de trás da viatura encarava o detetive aguardando sua pergunta. Baggio tinha certeza que o fantasma sabia de algo mas se recusava a falar com ele na presença da oficial Vanessa que não se afastava por um único minuto.

O fantasma saiu caminhando pela porta e planou até o topo da segunda pilastra próximo ao local onde a vitima havia sido encontrada. Ele sacou o seu sabre e começou a arranhar a superfície de concreto irritando o detetive até conseguir um trincar os dentes.

– Você está bem? Perguntou a policial.

– Tirando a irritação por não achar nada, estou ótimo.

– Não se sinta mal, mais de cinco peritos criminais passaram aqui e ninguém achou nada.

– O problema é que tem alguma coisa, nós só não estamos vendo corretamente. Qual foi o ultimo local que a terceira vitima foi vista com vida?

– No Bronze, uma casa noturna aqui da cidade. Os amigos estavam todos bêbados e ninguém deu por falta dela, chegaram a achar que ela tinha ido embora.

– Como é essa casa noturna? Lá eles usam luz negra?

– Acho que sim. Você acha que é isso?

– Acho que se existe alguma mensagem, nós só conseguiremos ver com um projetor de luz negra. Você consegue arrumar um?

Vanessa apenas bufou em resposta e se dirigiu ao carro. Enquanto ela passava o pedido via rádio, Frank se aproximou do detetive e falou em seu ouvido:

– Tsc, tsc, com vergonha de falar comigo? Não me lembrava que você era tão tímido.

Ignorando o fantasma Baggio se concentrou no local procurando por qualquer rastro ou pista que pudessem ser úteis até a chegada de uma nova viatura com o perito Lucas e o delegado Fabiano que traziam um canhão de luz com uma lente roxa a frente do aparato.

Mirando onde Frank passou a espada foi possível ver a pista a muito escondida. Fabiano e Lucas não esconderam a surpresa ao ver a frase devidamente escondida pela esperteza do assassino.

Eu tenho rios, mas não tenho água; Tenho florestas mas não tenho arvores;

Tenho montanhas mas não tenho pedras; Tenho cidades mas não tenho casas;

O que sou eu?

-Mapa. Essa era a terceira pista.


Não deixe de acompanhar a saga do Detetive Baggio em O Assassino de Caldarias.

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Prix, é a gnoma cozinheira da Taverna. Enquanto o Bardo e o Taverneiro levam todo o crédito por suas idéias, é ela quem trabalha nos fundos da Taverna para o site funcionar. Ama seus 5 filhos caninos, morre de medo de fantasma, adora um Blockbuster bem explosivo e nunca dispensa batata frita!

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