O Assassino de Caldarias – Parte 5

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Capitulo 5

Os policiais voltaram a delegacia na companhia do detetive e seu fantasma acompanhante. Um dos oficiais responsáveis por quebrar a charada sorria de orelha a orelha, assim que o detetive entrou na sala de reunião ele falou alto em bom tom a resposta: Tempo.

No momento em que as palavras foram ditas as engrenagens na mente do detetive e dos outros oficiais começaram a funcionar com força total, Felipe foi o primeiro a falar:

– Isso é ótimo, precisamos achar locais da cidade que tenham ligação com relógios ou que representem datas importantes.

– Vanessa, para quem você pediu os registros estudantis?

O Delegado Fabiano assumiu a resposta e com uma voz firme mandou um dos peritos atrás do policial. Logo o policial Rafael entrou na sala trazendo sete grandes livros carregados de fotos e registros escolares. Felipe se debruçou sobre a mesa e começou a folhear um dos registros, logo os oficiais presentes começaram a imita-lo.

– O que devemos procurar?

– Primeiro preciso saber se as vitimas em algum momento se cruzaram, seja em uma turma de espanhol ou durante a colônia de férias. Depois de acharmos alguma coisa vamos partir para a fase dois, achar nosso possível assassino.

Com dez pessoas trabalhando ao mesmo tempo o serviço rendeu de tal forma que as 19:00 horas eles já tinham achado fatos interessantes. O primeiro era que as três vitimas realmente estudaram no mesmo colégio mas em turmas diferentes. O segundo fato era que as três e mais quatro garotas dançavam juntas em um grupo de street durante o ensino médio.

Vanessa sentia sono apesar da grande quantidade de café que tinha ingerido. Ela encarava o detetive que continuava a virar folhas e mais folhas sem nem ao menos piscar. Pegou um copo de plástico e ofereceu a ele, Felipe olhou para os olhos da policial e agradeceu abrindo um sorriso.

– Você parece se divertir com isso, não parou nem por um segundo para descansar da viagem e mesmo agora após três horas sentado vendo fotos e lendo informações miúdas você parece feliz e contente.

– Eu realmente estou feliz. Esse livro aqui é do grêmio estudantil e tem vários recortes de jornais da época que essas garotas estudavam no colégio, o mais surpreendente é que eu descobri nosso primeiro suspeito.

– Sério?

– Preciso que vocês descubram tudo sobre Pedro Luis Silveira. Serve desde multa de transito, endereço ou mesmo registro de faculdade. Eu preciso saber onde esse cara está.

– Por que você acha que foi ele?

– Por causa dessa matéria aqui.

Dizendo isso o detetive passou o livro para a policial que começou a ler a reportagem. A manchete principal falava sobre a morte da estudante Aline Silveira durante uma festa na casa da terceira vítima Clarissa Teresa Bucqeme. Na grande foto havia um grupo de sete garotas cochichando entre si no momento em que a foto foi tirada.

-Na matéria não encontrei o nome dessas garotas da foto mas reconheci três delas como as nossas vitimas. Fabiana Palhares no canto, do lado dela a Clarissa e no outro lado mais afastada a segunda vitima Michele Assunção. Precisamos descobrir quem são as outras pessoas da foto e chama-las para um interrogatório, é hora de saber o que aconteceu a doze anos atrás.

Ligações eram feitas enquanto as viaturas disparavam pelas ruas da cidade, as garotas foram identificadas, Stephanie Fernandes, Camila Bacarolo, Vivian Correia e Luana Palhares. Paulo Fernandes tomou um belo de um susto ao ver a viatura parar na frente da sua casa com as sirenes ligadas, sua esposa estava com a única filha na cozinha, colocando as novidades em dia enquanto ele esperava o jornal nacional.

O senhor de idade foi até a porta e atendeu prontamente os oficiais, logo sua esposa e filha vieram ver do que se tratava. Após alguns minutos de conversa Paulo concordou com os oficiais antes da filha se quer responder, os três pegaram o carro e se dirigiram a delegacia. Se Stephanie pudesse ajudar no caso com toda certeza ela iria.

Três viaturas chegaram com diferença de cinco minutos na central. Stephanie Fernandes, Vivian Correia e Luana Palhares estavam ali. A ultima garota da foto não tinha sido encontrada, em sua residência. Os policiais encontraram sinal de arrombamento e luta no local, ao entrar em contato com a família, os pais informaram que estavam viajando e que a garota deveria estar em casa, o assassino ja tinha sua próxima vitima.

Felipe reuniu as três jovens mulheres na sala de interrogatório. Sua postura era muito diferente daquela que Stephanie lembrava do trem. O homem parecia estar em uma caçada frenética contra o tempo. Junto com ele estavam o delegado Fabiano e uma policial que as garotas desconheciam.

– Boa noite, meu nome é Felipe Baggio e estou ajudando nas investigações dos assassinatos em série e creio que vocês podem me ajudar a solucionar esse crime. Para isso gostaria que vocês me contassem exatamente tudo o que aconteceu com Aline Silveira, durante uma festa estudantil na casa de uma amiga de vocês, Clarissa Santos.

As três jovens arregalaram os olhos em uma explosão de espanto, como se tivessem sido pegas no flagra. A reação não passou despercebida para ninguém, nem mesmo para Frank que estava de olho na senhorita Fernandes.

– Ta na cara que foram elas que mataram a garota cara. Eu sabia que ela era uma bucaneira sacana, não é pra tua laia, deixa ela comigo! Disse o fantasma.

Felipe apenas sorriu para as três mulheres e incutiu urgência na voz assim que proferiu as palavras: – Senhoritas, se vocês fizeram algo de errado, não tenham medo, o crime seja ele qual for já preescreveu, o que está em jogo agora é o fato de que alguém está matando pessoas.

– Até o momento nossas investigações mostram que todas as vitimas faziam aula de street dance no ano 2000 e se podem reparar Camila Bacarolo não está aqui. Ela não foi encontrada por nosso oficiais e está desaparecida. Então sugiro que comecem a falar o que raios aconteceu naquela festa.

Stephanie limpou a garganta mas quem começou a falar foi Vivian:

– Olha, não aconteceu nada de mais. Essa era uma festa normal com gente se divertindo e em certo momento a Aline a novata da nossa turma caiu na piscina e todo mundo achou que ela estava brincando mas ela se afogou e ponto final. Ninguém aqui teve culpa do que aconteceu com ela.

Felipe percebeu a hesitação das outras duas mulheres enquanto Vivian contava sua versão da história. Ele esperou que ela terminasse e começou a fazer perguntas a mulher, seu olhar fixo no dela. Frank andava sem parar pela sala repetindo que a garota mentia a cada palavra dita.

– Nessa festa, tinha bebida alcoólica?

– Nada de mais, só cerveja.

– Hum… e você faz idéia do motivo pelo qual ela pode ter caído na piscina?

– Não. Como eu disse na época nós não éramos amigas e mal nos falávamos.

– Vocês chegaram a conhecer o irmão dela?

– Era um nerd qualquer, ele costumava ficar na dele no colégio, não andava com a gente.

– Sabem me dizer se a família dela ainda está na cidade?

– Eles mudaram no ano seguinte se não me engano.

A porta da sala se abriu com um policial trazendo uma pasta de arquivos nas mãos pedindo a atenção do detetive Baggio. Felipe foi até a porta fechou as garotas para dentro da sala e atendeu o homem.

– Família Silveira, se mudou dessa cidade em 2001. Foram para Maringá no Paraná, dois anos depois houve um acidente de carro e a família toda morreu. O carro derrapou em uma ponte e o carro caiu.

– Os corpos foram encontrados?

– Só o do pai e o da mãe, todos estavam sem cinto de segurança e se tratando do rio Paraná creio que foi uma sorte os outros corpos não terem sido levados pela correnteza.

O capitão Fabiano acompanhou o diálogo sem dizer uma palavra. Ele levou as mãos ao rosto massageando a face, para em seguida suspirar. Vanessa olhava para o chefe esperando o próximo passo, ela assim como ele chegou a acreditar que o Detetive tinha encontrado o assassino.

Felipe olhou ao redor para encarar os olhos frios do pirata que meneava a cabeça em sinal de negação. O detetive encarou o capitão dizendo:

– Senhor, ainda acredito que Pedro Silveira é o nosso assassino. Mas não faço ideia de como encontra-lo. Quanto a garota desaparecida, temos que continuar monitorando os locais que possam ter conexão com o enigma.

– Olha detetive, eu sei que você está com a corda toda para prender esse animal, mas todo mundo precisa de um descanso. Você nem ao menos foi ao hotel onde vai ficar e você Vanessa está trabalhando a dois dias sem parar. Por que vocês não tentam descansar enquanto nenhuma novidade aparece? Caso aconteça alguma coisa vocês serão avisados imediatamente. Quanto as garotas vou despacha-las para as devidas moradias e vou deixar uma viatura de vigia em cada uma delas.

Felipe gostaria de poder rir na cara do homem, mas sabia que ele tinha razão. Sorriu resignado e se virou para Vanessa pedindo uma carona até o hotel Caramon no centro de Caldarias. A policial indicou o caminho e ambos foram embora.

Enquanto isso na sala de interrogatório, as três mulheres se encaravam sem dizer uma palavra. A cada momento a tensão ia crescendo. Stephanie sacou o celular e rapidamente criou um grupo no whatsapp adicionando as outras duas garotas.

– Vocês acham que é ele que está matando toda essa gente? (Stephanie)

– Eu acho que é ele sim, ele era mega estranho. Tinha jeito de maluco e andava com os nerds. Vocês sabem que aqueles garotos morriam de inveja da gente. (Vivian)

– Será que ele culpa a gente pelo que aconteceu com a irmã dele? (Luana)

– Mas a gente não fez nada. era só um desafio ela que aceitou e bebeu demais, só isso. (Vivian)

– Eu sabia que ia dar merda. Eu falei pra gente contar toda a verdade, agora olha a situação que nós estamos (Stephanie)

As três se viraram ao mesmo tempo, escondendo os celulares e olhando para a porta. O capitão Fabiano entrou na sala com um sorriso amarelo, rapidamente disse que elas seriam acompanhadas por policiais e que uma viatura faria a guarda delas por um tempo, sem data definida.

As duas da manhã o telefone do hotel tocou, a policial Vanessa estava a caminho para buscar o detetive Baggio. Acharam Camila Bacarolo ou melhor, acharam o corpo da mulher, nua como as outras mas dessa vez o assassino tinha ido ainda mais longe.


Não deixe de acompanhar a saga do Detetive Baggio em O Assassino de Caldarias.

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Prix, é a gnoma cozinheira da Taverna. Enquanto o Bardo e o Taverneiro levam todo o crédito por suas idéias, é ela quem trabalha nos fundos da Taverna para o site funcionar. Ama seus 5 filhos caninos, morre de medo de fantasma, adora um Blockbuster bem explosivo e nunca dispensa batata frita!

One Reply to “O Assassino de Caldarias – Parte 5”

  1. Uhuuu!! Mais um capítulo!
    Já estava até com medo do Bardo ter desistido desse conto. Hahahaha

    Estou gostando bastante de como a história está desenrolando. Muito bacana mesmo.

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